Por Marcela Além e Caira Queiroz, acadêmicas do curso de Relações Internacionais.

Darcy Ribeiro foi um antropólogo, educador, político, romancista e escritor brasileiro, nascido no dia 26 de outubro de 1922, na cidade de Montes Claros (MG). Era filho do farmacêutico Reginaldo Ribeiro dos Santos e da professora Josefina Augusta da Silveira (FUNDAR, s.d.). 

Iniciou sua vida profissional no ano de 1947 e, ao longo de nove anos, empenhou-se em adquirir conhecimento sobre as mais diversas comunidades indígenas do país, o que, posteriormente, o levou a fundar o Museu do Índio, colaborar na criação do Parque Indígena do Xingu e escrever uma extensa obra etnográfica e de defesa da causa indígena.  

Desenvolveu, para a UNESCO, um estudo cujo tema era o impacto da civilização sobre os grupos indígenas brasileiros no século XX e, somado a isso, cooperou com a Organização Internacional do Trabalho para o início da criação de um manual sobre os povos aborígenes de todo o mundo.  

Seu último envolvimento direto com os povos originários foi a organização e direção do primeiro curso de pós-graduação em Antropologia, ingressando como professor de Etnologia na Faculdade Nacional de Filosofia da Universidade do Brasil (FUNDAR, s.d.). 

Darcy foi uma figura central para mudanças revolucionárias na educação brasileira. Ocupou o cargo de diretor de Estudos Sociais do Centro Brasileiro de Pesquisas Educacionais do Ministério da Educação (CBPE/MEC) ao longo de quatro anos.  

Em colaboração com o educador Anísio Teixeira, defendeu o projeto da Lei de Diretrizes e Bases da Educação e fundou a Universidade de Brasília, da qual foi o primeiro reitor. Foi ministro da Educação e chefe da Casa Civil durante o governo de João Goulart. Durante a ditadura militar, exilou-se e teve seus direitos políticos cassados (FUNDAR, s.d.). 

Durante seu exílio, continuou colaborando para a evolução da educação na América Latina e liderou reformas universitárias com base no conceito que já vinha defendendo, chamado “a universidade necessária”. Trabalhou como professor de Antropologia na Universidade Oriental do Uruguai, voltou a atuar na política e foi assessor do presidente Salvador Allende no Chile e de Velasco Alvarado no Peru. Foi durante este tempo que Darcy escreveu os cinco volumes dos Estudos de Antropologia da Civilização, livros nos quais explica as causas do desenvolvimento desigual dos povos sul-americanos (FUNDAR, s.d.). 

Quando voltou ao Brasil, foi eleito governador do Estado do Rio de Janeiro, trabalhando ao lado de Leonel Brizola. Juntos, implementaram, em tempo integral, o maior programa de educação básica pública do país. Darcy dizia que o fracasso da educação pública é uma questão política, e não pedagógica.  

Durante as duas gestões de Leonel, 506 Centros Integrados de Educação Pública foram criados. O prédio, projetado por Oscar Niemeyer, conseguia atender cerca de 600 alunos em tempo integral e 400 jovens no turno da noite, buscando assegurar o domínio da leitura, escrita e cálculo proposto por Darcy (FUNDAR, s.d.). 

A trajetória de Darcy Ribeiro, enquanto antropólogo, educador, político, romancista e escritor brasileiro, pode ser analisada sob a perspectiva da Teoria Pós-colonial das Relações Internacionais, que examina a reconstrução dos espaços de discursos em sociedades marcadas pela imposição do saber/poder colonial, ao posicionar-se como um intelectual profundamente empenhado em situar a América Latina como um lugar legítimo de enunciação do saber (AGUIAR, 2016).  

Suas obras como O Povo Brasileiro (1995) e seus estudos sobre o processo civilizatório rejeitam narrativas acadêmicas universais e eurocentristas, valorizando as especificidades históricas e culturais brasileiras, em sintonia com a afirmação de uma antropologia descentralizada e descolonizadora (DONÁ, 2023). 

Portanto, a trajetória de Darcy Ribeiro mostra que ele não apenas se destacou como antropólogo, educador e político, mas que também questionou de forma incisiva os limites das epistemologias eurocêntricas impostas ao Sul Global. Ao propor uma visão própria da formação do povo brasileiro e ao valorizar os saberes indígenas, afrodescendentes e populares, Darcy construiu um projeto de conhecimento e de ação política. 

Seu legado revela a importância de pensar a América Latina a partir de si mesma, como um ato de resistência e de reconstrução identitária. Darcy se tornou uma das vozes mais significativas na luta pela superação das heranças coloniais que ainda marcam as relações de poder e saber no mundo contemporâneo. 

REFERÊNCIAS 

AGUIAR, Jórissa. Teoria pós-colonial, estudos subalternos e América Latina: uma guinada epistemológica. Estudo Sociológico. Araraquara v.21 n.41 p.273-289 jul.-dez. 2016.  

ABL. Darcy Ribeiro Biografia. Academia Brasileira de Letras.  Disponível em: https://www.academia.org.br/academicos/darcy-ribeiro/biografia. Acesso em: 26 jul. 2025. 

DONÁ, Isabela. Darcy Ribeiro – O Povo Brasileiro – A formação e o sentido do Brasil. JusBrasil, 2023. Disponível em: https://www.jusbrasil.com.br/artigos/resenha-critica-darcy-ribeiro-o-povo-brasileiro-a-formacao-e-o-sentido-do-brasil/1965343890. Acesso em 07 de set 2025. 

FUNDAR. Fundação Darcy Ribeiro. Disponível em: https://fundar.org.br/ 

https://www.academia.org.br/academicos/darcy-ribeiro/biografia. Acesso em: 26 jul. 2025.