
Tiago Callejon Santos – Internacionalista formado pela UNAMA
Neste ano de 2026 está previsto para ocorrer a 23° edição da Copa do Mundo da Fifa, um torneio de extrema relevância mundial. Este torneio é uma competição esportiva de futebol realizada a cada quatro anos em que há a participação de várias delegações nacionais que se configuram enquanto verdadeiras representações de seus países para decidir o título de maior expoente mundial do futebol, isto é, o troféu mundial da Copa do Mundo da Fifa.
Esta competição, que já é naturalmente enorme por si só, por meio de vários aspectos distintos, contará com uma nova perspectiva que a tornará ainda maior: conforme demonstra Prates (2026), a Copa do Mundo da Fifa de 2026 contará, pela primeira na sua história, com a presença de 48 Seleções Nacionais que disputarão e competirão com o intuito de atingirem o grau máximo de glória e conquista que esta competição tem a oferecer
Naturalmente, quando se pensa em Copa do Mundo e nas Seleções que compõem historicamente as competições, pensa-se quase que automaticamente nos países que já conquistaram os títulos mundiais. Afinal, um dos meios de se medir a grandeza de países e times, no âmbito dos esportes, refere-se a quantidade de títulos que estes times e seleções já conquistaram.
Nessa perspectiva de campeões mundiais, observa-se que ao longo de 9 décadas de existência da Copa do Mundo, com a primeira edição tendo ocorrido no Uruguai, em 1930, 8 países alcançaram tal patamar e se tornaram campeões mundiais em tempos distintos (Lucki, 2025), com números distintos de conquistas mundiais, demonstrando a força, a grandeza e a primazia destas seleções nacionais mediante às outras não-campeãs ao longo das eras, no que concerne à competição. Conforme Lucki (2025), os 8 países campeões mundiais são: Brasil, Alemanha, Itália, Argentina, Uruguai, França, Inglaterra e Espanha.
Com os campeões mundiais apresentados, a partir daqui, nas propostas que este artigo deseja demonstrar, se abordará exclusivamente o Brasil, a sua Seleção Nacional e o seu histórico íntimo de grandeza e relevância com a Copa do Mundo da Fifa.
Até o presente momento, ocorreram 22 edições da Copa do Mundo ao longo da história. A 23° edição da Copa iniciará no dia 11 de junho, na América do Norte – ou seja, ocorrerá nos territórios de Canadá, México e EUA -, e se encerrará em 19 de julho, configurando mais de um mês completo de competição, conforme demonstrado no Calendário completo da Copa do Mundo da Fifa de 2026, presente no portal Fifa (2026).
Por que essas informações são relevantes de se abordar? A resposta é simples: porque o Brasil é o único país dos 195 países existentes e reconhecidos pela ONU (Worldometer, 2026) que participou de todas as edições existentes do Mundial (Tavares, 2018).
Esse dado demonstra que o Brasil por si só já é um país excepcionalmente tradicional na competição, onde sua grandeza e relevância se confundem com a própria história e formação da Copa. Afinal, em um rol atual de 195 países existentes reconhecidos pela ONU, sendo 193 países oficiais e 2 países observadores, isto é, o Estado do Vaticano e o Estado da Palestina (Castilho, 2024), isto sem contar países que já participaram da competição, porém não existem mais, como é o caso da Iugoslávia, Tchecoslováquia e da URSS (Zero Hora, 2026), ser o único país que participou de todas as edições demonstra o que é, de fato, ser um outro patamar de grandeza internacional mediante à maior competição esportiva do mundo.
Com efeito, para além dos números de participação em mundiais da Fifa, se abordará, por agora, o que de fato demonstra a soberania e a grandeza do Brasil na competição. A Fifa realizou, em seu site oficial (2026), um artigo sobre o histórico do Brasil na Copa do Mundo, demonstrando o perfil histórico da respectiva Seleção Brasileira nos âmbitos gerais da competição.
São vários os pontos de interesse em que o artigo enaltece a história brasileira em Copas, destacando os principais pontos da grandeza do Brasil, sendo eles: primeiro, o Brasil nunca ficou fora de uma Copa do Mundo, sendo o único país a ter essa marca valiosa até o momento – algo já demonstrado -. Segundo, o Brasil é a única Seleção pentacampeã mundial, com a conquista de cinco títulos mundiais de Copa do Mundo da Fifa evidentemente. Terceiro, em retrospecto de jogos gerais em todas as edições que participou, o Brasil mantém os números de 114 partidas jogadas, sendo 76 vitórias, 19 empates, 19 derrotas, 237 gols marcados a seu favor e 108 gols sofridos contra a seu favor (Fifa, 2026), enaltecendo seu histórico extremamente vitorioso no torneio.
Outrossim, as cinco conquistas mundiais do Brasil se deram em contextos e em décadas distintas, os quais perpassam as várias eras do esporte bretão, mostrando como, de fato, a tradição e o peso dessa camisa se mantém acima das demais. Conforme um resumo do histórico da Seleção Brasileira nas Copas, o Portal Band (2026) demonstra os anos das 5 conquistas mundiais, sendo elas: 1958, a primeira conquista mundial, na Suécia. 1962, com o bicampeonato, no Chile. 1970, com o tricampeonato mundial, a última do Rei Pelé, no México. Conquistou o tetracampeonato, em 1994, com o protagonismo exagerado de Romário, nos EUA e, por fim, com o último título mundial do Brasil, o pentacampeonato, em 2002, no Japão e na Coréia do Sul, com uma belíssima geração de ouro na virada do século XX para o século XXI.
Para além disso, como se já não bastasse o número de participações totais em Copas, a quantidade de títulos obtidos e o retrospecto geral do Brasil em Copas, ainda se evidencia outra enormidade histórica, conforme expõe o Portal Fifa (2025), o Brasil participou de 7 finais de Copa do Mundo, obtendo a conquista de 5 finais das 7 totais disputas (um aproveitamento aproximado de 72% em finais de Copas do Mundo), e sendo o segundo país da história da competição – Alemanha atingiu essa marca antes do Brasil – a disputar 3 finais consecutivas de Copa do Mundo, nos anos de 1994, 1998 e 2002 (Cristina, 2026), reverberando a sua grandeza e hegemonia quase que absoluta em decisões na Copa do Mundo.
Com todas essas análises, números e retrospectos da Seleção Brasileira em evidência, facilmente se observa e se demonstra os motivos pelos quais fazem a Seleção ser esse grande símbolo da República Federativa do Brasil. É sob este viés das identidades nacionais que se pode relacionar a Seleção Brasileira, o Brasil e o seu histórico em Copas com as teorias e os arcabouços teóricos das Relações Internacionais, sobretudo no construtivismo em Alexander Wendt.
Em sua obra ‘Social Theory of International Politics” (1999), Wendt afirma que as configurações de regras, normas e deveres não se consolidam ou se atribuem aos Estados de maneiras automáticas ou naturais, mas que elas são socialmente construídas e aplicadas aos contextos de suas sociedades civis e estatais por meio de vários e distintos processos de criação, interpretação e aplicação lógica ao longo do tempo, sendo socialmente construídas e definidas para tal.
Assim, uma vez que chega a esse ponto, de serem formalizadas, desenvolvidas e construídas por concepções socialmente elaboradas, elas resultam em várias finalidades que reverberam em lógicas finais e conclusivas para a constituição destes Estados por meio destas regras e normas socialmente estabelecidas, chegando a perpassar concepções de identidade, simbologia e de cosmovisão.
Logo, a simbologia do esporte e do futebol, no contexto deste artigo aplicado ao Brasil e à sua Seleção Nacional, corroboram em uma análise precisa e enfática do modo em como o Brasil é visualizado internacionalmente sob a ótica do futebol e da Copa do Mundo.
Como exposto ao longo do artigo, as Seleções Nacionais servem como uma representação, mesmo que em aspecto mínimo, das simbologias presentes nos Estados e nas suas configurações próprias. Deste modo, a ótica construtivista de Wendt aponta que o futebol ultrapassa as limitações do esporte, reverberando em outros aspectos fulcrais das identidades nacionais dos Estados.
Além disso, a Seleção Brasileira, neste aspecto, se torna um símbolo internacional do Brasil no qual a identidade do próprio Brasil é parcialmente construída e reconhecida internacionalmente através do futebol, sob a alcunha de “O país do futebol” ou do “Joga Bonito”, a exemplos.
Portanto, e por fim último desse aspecto teórico do construtivismo em Wendt, o Brasil detém um grande prestígio internacional e reconhecimento social que são oriundos desta cosmovisão do poder, o qual, para Wendt, não é apenas material, mas também simbólico.
Os demais Estados e a Fifa reconhecem a potência futebolística que o Brasil é, sobretudo no âmbito da sua tradição vitoriosa, hegemônica e rica em Copas do Mundo, portanto, os dados estatísticos e os retrospectos do Brasil em Copas, que são fundamentadas em títulos mundias (5), finais disputadas em sequência, participação em todas as 23 edições de Copa do Mundo e sua tradição histórica funcionam, definitivamente, como mecanismos e ferramentas de legitimação simbólicas da grandeza do Brasil.
Por fim, com a exposição de todos estes estabelecimentos diversos, sejam eles teóricos, argumentativos e análises estatísticas oriundas dos números e do retrospecto do Brasil em Copas do Mundo, compreende-se definitivamente, seja em grau mínimo, moderado ou máximo, todos os fins que permitem a todos vislumbrar a grandeza da Seleção Brasileira de Futebol, a maior de todas as Seleções Nacionais, e das suas relações extremamente íntimas e intrínsecas com a Copa do Mundo da Fifa.
Referências:
BAND. Brasil em Copas do Mundo: todos os títulos, campanhas e artilheiros. Band, 2026. Disponível em: https://www.band.com.br/esportes/futebol/copa-do-mundo/noticias/noticias/brasil-em-copas-do-mundo-todos-os-titulos-campanhas-e-artilheiros-202604151906
OMITÊ OLÍMPICO INTERNACIONAL. Copa do Mundo de 2026: times classificados. Olympics.com, 2026. Disponível em: https://www.olympics.com/pt/noticias/copa-do-mundo-de-2026-times-classificados
FIFA. Brasil na Copa do Mundo da FIFA: perfil e histórico da seleção. FIFA, 2026. Disponível em: https://www.fifa.com/pt/tournaments/mens/worldcup/canadamexicousa2026/articles/brasil-copa-mundo-perfil-historia
FIFA. Calendário completo da Copa do Mundo da FIFA 2026™. FIFA, 2026. Disponível em: https://www.fifa.com/pt/tournaments/mens/worldcup/canadamexicousa2026/articles/copa-mundo-2026-tabela-jogos
FIFA. História do Brasil nas finais da Copa do Mundo da FIFA. FIFA, 2025. Disponível em: https://www.fifa.com/pt/tournaments/mens/worldcup/canadamexicousa2026/articles/historia-brasil-finais-copa-mundo-fifa
GAÚCHA ZH. Iugoslávia, URSS e outras: confira seleções que disputaram a Copa do Mundo mas deixaram de existir. GZH, Porto Alegre, 2026. Disponível em: https://gauchazh.clicrbs.com.br/esportes/copa-do-mundo/noticia/2026/04/iugoslavia-urss-entre-outras-confira-selecoes-que-disputaram-a-copa-do-mundo-mas-que-deixaram-de-existir-cmohnngiq00bg0123rctlaqb1.html
ITATIAIA. Copa do Mundo: quais seleções disputaram mais finais consecutivas na história. Rádio Itatiaia, Belo Horizonte, 2026. Disponível em: https://www.itatiaia.com.br/esportes/futebol/futebol-internacional/copa-do-mundo/copa-do-mundo-quais-selecoes-disputaram-mais-finais-consecutivas-na-historia/
MELHORES DESTINOS. Quantos países existem no mundo? Lista completa e curiosidades. Melhores Destinos, 2026. Disponível em: https://www.melhoresdestinos.com.br/quantos-paises-mundo.html
WORLDOMETER. How many countries are there in the world? 2026. Disponível em: https://www.worldometers.info/geography/how-many-countries-are-there-in-the-world/
WENDT, Alexander. Social Theory of International Politics. Cambridge; New York: Cambridge University Press, 1999.
