
Vinicius Bouth, Acadêmico do 1° semestre de Relações Internacionais
O grupo que se transformou em um fenômeno mundial na cultura pop, chamado Bangtan Sonyeondan — mais conhecido como BTS —, foi lançado em 2013 pela empresa sul-coreana HYBE. A gravadora colocou sete novos talentos na indústria musical no dia 13 de junho daquele ano, com a música de debute “No More Dream”.
A canção trazia letras que criticavam a pressão sobre os jovens para que se mantenham no meio tradicional, um modelo enraizado na cultura desde a dinastia Joseon, iniciada por volta de 1392 (Britannica, 2026). Esse processo histórico colaborou com a modificação cultural e política do povo coreano, reorganizando-o de forma mais rígida em torno de relações de hierarquia, respeito e devoção que ecoam até os dias de hoje.
De início, o grupo enfrentou diversos problemas ao longo dos anos, superando barreiras e moldando seus estilos de música. Isso os levou, inclusive, a panfletar nas ruas de Los Angeles em meados de 2014, com o intuito de expandir seus horizontes e não se manterem presos apenas ao mercado local, pedindo ao público uma chance para que ouvissem suas canções e dessem a eles a oportunidade de crescer e conquistar seus sonhos.
Depois de um tempo, as músicas com letras voltadas para temas de pressão social, saúde mental e críticas ao sistema ganharam o gosto do público, elevando o BTS a um patamar nunca antes alcançado. Esse movimento contribuiu diretamente para o desenvolvimento de sua empresa e possibilitou a criação de novos grupos, atingindo níveis relevantes de sucesso e engajamento midiático mundial que se fazem presentes até os dias atuais. Exemplo disso foi a estreia em 1° lugar na Billboard Hot 100 em abril de 2026, com a marca expressiva de 641 mil unidades de vendas do single “SWIM” (Billboard Brasil, 2026).
Tamanho é o sucesso e a relevância mundial que o BTS tomou que, ao colocar essas projeções em exercícios mentais com concepções estabelecidas em ordens metafísicas, imaginar o BTS hoje é pensar automaticamente em K-pop, assim como pensar em K-pop se faz imaginar o BTS. Com tamanha influência e reverberação nacional e internacional, no aspecto ideal da coisa, esses artistas abriram as portas da Coreia do Sul para o mundo.
Eles se transformaram em um dos maiores fenômenos globais, acumulando recordes musicais, premiações e reconhecimentos, espalhando suas mensagens sobre diversas temáticas através do som e sendo acompanhados por uma base gigantesca de fãs, com o grupo ultrapassando os 80 milhões de seguidores nas redes sociais em 2026.
Em outubro de 2017, o grupo foi reconhecido por uma parceria com a UNICEF ao lançar a campanha “LOVE MYSELF”, que promove a aceitação e o amor-próprio entre os jovens e luta contra a violência infantil. Segundo a organização, a iniciativa gerou mais de 50 milhões de engajamentos nas redes sociais (UNICEF, 2017). Isso os levou não só a representar a Coreia, mas a discursar na Assembleia Geral da ONU.
Os membros foram, inclusive, presenteados em 2021 pelo então presidente da Coreia do Sul, Moon Jae-in, com passaportes diplomáticos que garantem privilégios em suas viagens internacionais, sendo amplamente aclamados através do site oficial da ONU e da presidência coreana naquele período.
No ano de 2022, os ARMYS (nome dado aos fãs) acompanharam através das redes sociais o “até logo” dos cantores. Os membros precisaram fazer uma pausa nas atividades do grupo devido ao alistamento militar obrigatório para homens entre 18 e 28 anos, previsto na constituição sul-coreana. Isso fez com que o grupo ficasse distante das câmeras por um período de 3 a 4 anos. Em 2026, os integrantes retornaram de seus deveres e, consequentemente, voltaram aos trabalhos musicais.
Desta forma, a equipe começou a imaginar e a criar um novo álbum de retorno. Depois de muita pesquisa, estudo, metodologia, gravações e reflexões, os membros decidiram nomear o projeto que marcaria a sua volta e mostraria ao mundo o retorno do BTS como uma banda que não possui fim.
Assim surgiu o álbum denominado “Arirang”, que ganhou grande destaque e repercutiu astronomicamente diante do público doméstico e internacional do BTS. O conceito resgata a imagem do grupo carregando consigo as tradições e culturas da Coreia do Sul, consolidadas há mais de 500 anos no período da Dinastia Joseon (1392–1910) — o último e mais longo poder imperial na Coreia, marcado pela forte influência da China em sua cultura e em sua administração pública (Britannica, 2026).
Mas o que seria “Arirang”? Esse nome faz referência a uma música tradicional do folclore do país, considerada um hino que simboliza a força, a resistência e o amor desse povo. Segundo a UNESCO, a canção foi criada entre os séculos XVII e XIX (ARIRANG, 2026; UNESCO, 2026). Os membros decidiram trazer as raízes de sua cultura para o mundo por meio de músicas que misturam os idiomas inglês e coreano para ensinar e marcar sua identidade e origem.
O álbum gerou uma série de canções que abordam amor, liberdade e amadurecimento, como em “Normal” — canção que trata das pressões na indústria musical e da exaustão da fama — e “They don’t know about us”, que explora o lado pessoal dos integrantes e como o público os conhece apenas pelas lentes das câmeras e do sucesso.
Diante disso, na ótica das Relações Internacionais, é possível relacionar os fenômenos e as finalidades do grupo BTS com os processos teóricos abordados pela Escola da Teoria Crítica das Relações Internacionais. Em seus aspectos gerais, esse arcabouço teórico busca analisar diversos desafios diante da sociedade e questionar a formação das estruturas vigentes, como a desigualdade social e o capitalismo (Internacional da Amazônia, 2026 – Robert W. Cox, 1981).
Com isso, pode-se perceber facilmente o uso do conceito denominado de “Soft Power”, isto é, a forma que se tem para aumentar a sua relevância e poder por meio de ferramentas persuasivas, identitárias e simbólicas, e não pelo uso da força e da coerção, sendo um instrumento eficaz para a formação e o incremento da visibilidade e do poder de influência da Coreia do Sul no cenário global. Sob essa perspectiva, o BTS se conecta à Teoria Crítica a partir do conceito de Indústria Cultural. Mesmo fazendo parte do mercado global de entretenimento, o grupo vai na contramão da distração vazia e usa a música para questionar o sistema.
Ao falar abertamente sobre saúde mental, pressões sociais e os impactos do capitalismo na juventude, os membros geram uma verdadeira conscientização social em milhões de pessoas. Dessa forma, o BTS mostra como a arte e a cultura pop podem funcionar como ferramentas de transformação e de desenvolvimento do senso crítico, provando que um fenômeno musical também pode desafiar o domínio cultural do Ocidente e exercer um impacto político real no mundo.
Referências:
ARIRANG. Coreia, canção Folclórica, Origens História. Disponível em: https://share.google/OsPdZsv5tAzaPSSEg. Acesso em: 20 maio 2026.
BILLBOARD BRASIL. Grupo com recordes de vendas. Disponível em: https://share.google/YTZHs60FLZpm3swyh. Acesso em: 20 maio 2026.
BRITANNICA, Editores da Encyclopédia. Joseon dynasty. Encyclopædia Britannica. Disponível em: https://www.britannica.com/topic/Joseon-dynasty. Acesso em: 20 maio 2026.
INTERNACIONAL DA AMAZÔNIA. A teoria crítica de Robert W. Cox. Disponível em: https://share.google/yQCPqnAKv0HHP5B1j. Acesso em: 20 maio 2026.
UNESCO. Arirang, canção Folclórica lírica na República da Coreia. Disponível em: https://share.google/2cXbSnx0JJAhMHjg6. Acesso em: 20 maio 2026.
UNICEF. Sucesso da campanha LOVE YOURSELF. Disponível em: https://share.google/ykvpRieif8RroyBig. Acesso em: 20 maio 2026.
