
Ana Gabriela Souza – Acadêmica do 6º semestre de Relações Internacionais da UNAMA.
O Complexo Industrial Militar (CMI), surge a partir da parceria entre as Forças Armadas Americanas, Universidades, instituições políticas e a indústria bélica, no período da Segunda Guerra Mundial, como uma forma de prevenção e contenção de possíveis investidas da União Soviética que começava a dar seus primeiros passos (José e Mariutti, 2025).
A ideia do complexo permanece ao longo dos anos financiada por governos e empresas interessadas em manter o avanço em tecnologias armamentistas de ponta, para a proteção de nações e investimento em seu próprio comércio e produção de armas. Com variações em diferentes Estados, na Europa ela segue sendo gerenciada pelo governo e apesar de geralmente ficar em apenas um país, cada um operando o seu complexo, na União Europeia ele é compartilhado entre os países do bloco. Já nos Estados Unidos, deixou de ser controlado pelo governo no século XX e é comandado por empresas privadas (Weber, 2026).
O Complexo Industrial Militar acabou se tornando uma espécie de empresa, com o setor de pesquisa e tecnologia, o setor da produção e os investimentos, para que a movimentação interna continue acontecendo. Além disso, operam com pessoal especializado que tem o conhecimento necessário para que as movimentações internas corram de forma fluida, por outro lado isso pode gerar um esgotamento do setor industrial do próprio Estado, por a maioria dos trabalhadores qualificados serem chamados a trabalhar nesses setores industrial militar e não ter pessoal o suficiente nas áreas não militares (Weber, 2026).
Em 1961, o presidente dos Estados Unidos Dwight Eisenhower, comentou sua preocupação com o potencial de crescimento do complexo industrial militar, dizendo que foram obrigados a criar esse sistema, porém, que ele poderia tomar rumos perigosos e que eles poderiam perder o controle sobre ele, que por sua vez poderia tomar rumos descontrolados em busca de poder (Roberts, 2026).
Os complexos industriais militares são praticamente empresas, guerras e conflitos geram muitos lucros para eles que são grandes produtores de tecnologias bélicas, caças e diversos armamentos. As empresas Lockheed Martin, Northrop Grumman e RTX que fazem parte destes complexos tiveram alta em suas ações de aproximadamente 30 bilhões de dólares apenas com os ataques dos Estados Unidos e Israel ao Irã, outras empresas de combustíveis e energia, construção civil, de financiamentos, ganham muito pois todas essas áreas e são utilizadas e afetadas em guerras (Roberts, 2026).
Sem contar outras áreas como medicamentos e suprimentos.Empresas como a Halliburton (empreiteira), que foi contratada para fazer a reconstrução e logística no Iraque e no Afeganistão durante o período da guerra e ocupação dos Estados Unidos nos países, multiplicou seus lucros e contratos por dez, com a construção de instalações militares e fornecimento de transporte e alimentação durante o tempo dos Estados Unidos nos locais. Além disto, com falta de vigilância governamental ou simplesmente uma forma de descaso pelo caos causado em território de guerra, outras obras e ações em países diferentes ficaram superfaturadas e sem utilidade, gerando apenas mais lucros para empreiteiras e outras empresas (Ibidem).
Segundo Susan Strange, existem dois debates em Relações Internacionais, um lado diz que os Estados continuam a ditar as regras do jogo, e outro diz que as empresas são aquelas que, além dos Estados, também tem poder para dar direcionamentos, dependendo do foco e das circunstâncias (apud, Sarfati, 2005). Com isso pode-se dizer que Strange fala que dependendo da situação empresas podem ter certo poder conseguir direcionar o sistema de acordo com as necessidades do mercado.
Percebe-se que por uma lógica de mercado, não há interesse algum por fazer com que as guerras acabem, vai além de desentendimentos entre Estados ou proteção, se estão ofertando um produto precisam gerar demanda para que ele seja utilizado, e ainda há a especulação de preço em cima de combustíveis e energia, aumentando os preços e lucros no mercado apenas por instabilidades e incertezas.
Referências:
JOSÉ, Lucas; MARIUTTI, Eduardo Barros. Complexo-Militar-Industrial: Formação e Funcionamento. XXXIII Congresso de Iniciação Científica da UNICAMP. 2025. Disponível em: <https://sistemas-prp.unicamp.br/inscricao-congresso/resumos/2025P24232A40555O370.pdf> Acesso em: 03 de jul 2026.
ROBERTS, Michael. Os lucros da guerra: o complexo militar-industrial. Jornal Maio. 30 de jun 2026. Disponível em:<https://jornalmaio.org/os-lucros-da-guerra-o-complexo-militar-industrial/> Acesso em: 05 de jul 2026.
SARFATI. Gilberto. Teoria das Relações Internacionais. 1ª edição. São Paulo: Saraiva, 2005.WEBER, Rachel N. Complexo militar-industrial. Britannica. 24 de jun 2026. Disponível em: <https://www.britannica.com/topic/military-industrial-complex> Acesso em: 05 de jul 2026.
