
Gabriele Nascimento Ribeiro (acadêmica do 6° semestre de R.I da UNAMA)
A região amazônica engloba um conjunto de 9 países presente na América do Sul: Brasil, Colômbia, Peru, Venezuela, Suriname, Guiana, Guiana Francesa e Equador. A Amazônia é uma região estratégica para geopolítica pois abriga diversas fontes de riquezas e recursos que atualmente são considerados escassos, como água, minerais críticos e estratégicos e petróleo. Além disso, abriga grande biodiversidade de fauna e flora e diversidade cultural.
A água é um recurso é extremamente necessário para a vida humana, no entanto atualmente o mundo enfrenta crise global de abastecimento de água, de acordo com a Organização das Nações Unidas (2026), aproximadamente quatro bilhões de pessoas sofrem com grave falta de água por pelo menos um mês a cada ano, enquanto os impactos da seca custam cerca de US$ 307 bilhões anualmente, levando o planeta ao a entrar em um estágio de falência global de água. (p.2-9 , Tradução Nossa)
Em paralelo, o uso de inteligência artificial tem comprometido o consumo de água em altas quantidades. De acordo com Yañez-Barnuevo (2025), data center de médio porte pode consumir até aproximadamente 110 milhões de galões de água. Data centers maiores podem consumir até 5 milhões de galões por dia.
Atualmente, a disputa por tecnologia e desenvolvimento de IA estar entre os principais pontos de embates entre grandes potências, principalmente entre China e EUA. Nesse sentido, a Amazônia ocupa papel central na medida em que é detentora de grande reserva de água. A OTCA (2024), a Bacia Amazônica abriga cerca de 20% da água doce da superfície do planeta.
Além disso, a disputa por minerais críticos e estratégicos, tem moldado a geopolítica global provocando disputas principalmente entre China e EUA. Minerais críticos são recursos importantes para setores estratégicos, como tecnologia e transição energética. Eles incluem elementos como lítio, cobalto, níquel e terras raras.
De acordo com Estudo desenvolvido pela Agência Nacional de Mineração (2026), a Amazônia Legal concentra 48,2% dos processos para minerais críticos e estratégicos do Brasil, com o total de 38.732 processos entre os 80.427 existentes no país. A pesquisa destaca que Entre os estados centros de processos o estado do Pará se destaca com 19.788 processos, o que representa 51,1%, seguido Mato Grosso com 7.345 processos (19,0%), seguido por Rondônia com 3.973 (10,3%).
No Pará, de acordo com a Federação das Indústrias do Estado do Pará (2026), durante ano de 2025, as exportações do Pará totalizaram US$ 24,23 bilhões, neste ano superavitária. Entre os setores que compõem a balança comercial do estado o mineral permaneceu como o principal pilar, tendo como principal produto da pauta exportadora o minério de ferro, somando cerca US$ 11,64 bilhões no acumulado do ano.
Segundo dados da Secretaria de Comercio Exterior publicados no site Comex Stat (2026), o Brasil exportou 416 milhões de toneladas de minério de ferro em 2025, tendo a China como principal compradora respondendo por cerca de US$ 19,5 bilhões, o equivalente a 67% do total exportado, enquanto os Estados Unidos correspondem em média US$ 303,4 milhões com participação de 1,0%.
Outro insumo essencial na economia global que é encontrado na Amazônia é o petróleo. Segundo Milhorance e Hirota et.al (2025), cerca de um quinto das reservas mundiais encontradas entre 2022 e 2024 estão na Amazônia, principalmente no extremo norte da América do Sul, entre Guiana e Suriname. Essas reservas têm atraído interesses internacionais, incluindo dos países vizinhos.
Por exemplo, há a disputa pela região de Essequibo, região rica em petróleo que atualmente e gerida pela Guiana, mas que é marcado por tensões históricas com Venezuela. Além disso, o Brasil busca fortalecer seu papel na exploração de petróleo na Foz do Rio Amazonas apesar dos debates existentes sobre risco ambientais.
Diante do conflito no Oriente Médio, que levou ao fechamento do Estreio de Ormuz e, consequentemente, desencadeou uma crise energética de distribuição e disputas por energia, ter influência em região que se apresentem como alternativa a produção de petróleo é estratégico.
A Base da Petrobrás na Província Petrolífera de Urucu, localizada em Coari (AM), iniciou sua produção comercial em 1988 e, desde então, consolidou-se como a maior reserva provada terrestre de petróleo e gás natural do Brasil. Segundo Amaral (2026), atualmente a unidade produz cerca de 105 mil barris de óleo equivalente por dia, além de extrair 13,5 milhões de metros cúbicos diários de gás natural.
O interesse internacional na região é marcado por disputas, principalmente entre empresas da China e dos Estados Unidos. Em 2025, conforme destacou o Jornal Guarani (2025), o ponto de maior atenção foi a parceria entre a estatal chinesa CNPC e a americana Chevron, que, juntas, arremataram nove blocos exploratórios na Foz do Amazonas pelo valor de R$ 582,2 milhões.
As disputas entre interesses estadunidenses e chineses demonstram que o poder e a liderança no cenário geopolítico atual não se baseiam apenas na inovação tecnológica, mas também na capacidade de controlar e assegurar o fluxo de matérias-primas essenciais aos projetos de alta tecnologia.
Nesse contexto, detentora de riquezas naturais e exposta ao cenário internacional marcado por disputas, a Amazônia atrai os olhares internacionais, ao mesmo tempo que se torna um ponto focal da política de defesa para os Estados que a compõem, exigindo estratégias estatais para a proteção da soberania.
A defesa da soberania em uma região exposta a disputas geopolíticas mostra-se sensível. Os países sul-americanos, dos quais a maioria integra a Amazônia, historicamente expostos à ingerência internacional em seus territórios, enfrentam o desafio de afirmar sua autonomia em um cenário global econômico no qual se inserem, majoritariamente, como exportadores de matérias-primas.
Essa posição na divisão internacional do trabalho, somada a fatores estruturais que dificultam a industrialização, como crises governamentais, torna a região vulnerável a pressões externas e à perpetuação de um ciclo de dependência econômica.
Por mais que existam mecanismos regionais, como a Unasul e a OTCA, as quais visam fortalecer a integração e reduzir a interferência externa, a capacidade de ação coletiva da América do Sul tem se demonstrado limitada por crises políticas e econômicas internas e possíveis barreias por divergências ideológicas governamentais entre os Estados. O cenário atual na Venezuela exemplifica essa fragilidade, pois evidencia como a defesa regional cedeu espaço à violação de soberania por parte dos Estados Unidos.
Portanto, fica evidente que a Amazônia é centro de interesse internacional em razão de sua imensa riqueza natural, estratégica e biodiversa. Diante desse cenário, formular estratégias que garantam a segurança e a preservação desses recursos não se trata apenas de uma questão de planejamento geopolítico ou econômico, mas sim de um legítimo ato de soberania para os países que a compõem.
Diante do exposto, indica-se o documentário intitulado “Somos Guardiões”, publicado em 2023. Dirigido por Edivan Guajajara, Chelsea Greene e Rob Grobman, a obra retrata a luta dos povos indígenas contra o desmatamento ilegal na Amazônia, além de expor as consequências ambientais e humanas. O documentário está disponível na plataforma de streaming Netflix.
Além disso, recomenda-se o premiado documentário “O Território” (2022), que retrata a luta do povo Uru-Eu-Wau-Wau contra o desmatamento promovido por fazendeiros e posseiros ilegais na Amazônia brasileira. Diante de ausência de defesa por parte do poder público, a comunidade indígena assumiu o controle de suas próprias fronteiras, criando patrulhas de vigilância equipadas com drones e câmeras.
Com essa tecnologia, eles monitoram a floresta, interceptam invasores e defendem a integridade física de seu território, reafirmando sua soberania sobre aquela porção do Brasil. O documentário está disponível na plataforma de streaming Disney+.
Por fim, para melhor compreensão sobre o tema exposto, sugere-se a pesquisa intitulada “Amazônia Legal: Minerais Críticos e Estratégicos – Diagnóstico Setorial”, produzida Pela Agência Nacional de Mineração Brasileira. Publicada em 2026, a pesquisa busca revelar potencial e desafios para extração mineral na região amazônica, apontando caminhos para construção de Plano Nacional para o setor.
Disponível em: < https://www.gov.br/anm/ptbr/itens/arquivos/amazonia_legal_minerais_criticos_e_estrategicos.pdf >.
Referências:
AGÊNCIA NACIONAL DE MINERAÇÃO (Brasil). Amazônia Legal: minerais críticos e estratégicos: diagnóstico setorial. Brasília, DF: ANM, 2026. Disponível em: https://www.gov.br/anm/ptbr/itens/arquivos/amazonia_legal_minerais_criticos_e_estrategicos.pdf. Acesso em: 28 jul. 2026.
AMARAL, Luciana. Petrobras pretende perfurar 22 novos poços na Amazônia a partir de 2026. CNN Brasil, São Paulo, 28 jan. 2026. Disponível em: https://share.google/uXFTH5PFyLrJH1O3o. Acesso em: 29 jul. 2026.
COMEXSTAT. Disponível em: https://comexstat.mdic.gov.br/pt/comex-vis. Acesso em: 26 jul. 2026.
FIEPA. Exportações do Pará somam US$ 24,23 bilhões em 2025 e consolidam protagonismo do estado no comércio exterior. Publicado em: 15 jan. 2026. Disponível em: https://www.fiepa.org.br/post/exporta%C3%A7%C3%B5es-do-par%C3%A1-somam-us-2423-bilh%C3%B5es-em-2025-e-consolidam-protagonismo-do-estado-no-com%C3%A9rcio.
Acesso em: 28 jul. 2026.
INFOAMAZONIA. Amazônia desponta como nova fronteira global do petróleo. Publicado em: 1 abr. 2025. Disponível em: https://infoamazonia.org/2025/04/01/amazonia-despontacomo-nova-fronteira-global-do-petroleo/. Acesso em: 28 jul. 2026.
JORNAL O GUARANI. China e EUA avançam na Foz do Amazonas com megainvestimento em petróleo. Publicado em: 7 maio 2025. Disponível em: https://share.google/ApXx7d0d4Yx2PUR6y. Acesso em: 29 jul. 2026.
ORGANIZAÇÃO DO TRATADO DE COOPERAÇÃO AMAZÔNICA. A Bacia Amazônica e a Gestão Integrada de Recursos Hídricos (GIRH). OTCA. Publicado em: 24 jan. 2024. Disponível em: https://aguasamazonicas.otca.org/?lang=pt-br. Acesso em: 26 jul. 2026.
UNITED NATIONS. Water for All People: Equal Rights and Opportunities. The United Nations World Water Development Report 2026. UNESCO. P. 2-9.
YAÑEZ-BARNUEVO, Miguel. Data Centers and Water Consumption. EESI (Environmental and Energy Study Institute), 25 jun. 2025. Disponível em: https://www.eesi.org/articles/view/data-centers-and-water-consumption. Acesso em: 28 jul.
2026.
