Isabelly Gouvêa Barros – 4° semestre

Os conflitos armados no Oriente Médio podem ser analisados por diferentes perspectivas econômicas, como as de Adam Smith (1996) e Joseph Schumpeter (1961). Embora pertençam a períodos históricos distintos, suas teorias permitem compreender diferentes dimensões dos impactos econômicos das guerras, especialmente no que diz respeito à circulação de mercadorias, à produção e à indústria bélica.


Em primeiro lugar, as movimentações financeiras, tarifas, sanções econômicas e os bloqueios territoriais são pontos importantes no cenário de guerra. Nesse contexto, Adam Smith (1996), economista clássico e pai do liberalismo econômico, contribui para a análise por meio de sua teoria das vantagens absolutas. Segundo essa perspectiva, os países podem obter benefícios ao se especializarem na produção de bens que conseguem produzir com maior eficiência em comparação com outros países.


Entretanto, os conflitos armados podem comprometer estas relações ao dificultar a circulação de mercadorias e interromper atividades produtivas. Tarifas e outras restrições comerciais podem elevar os custos das transações, enquanto bloqueios territoriais e a destruição de infraestruturas prejudicam o transporte e a exportação de produtos. Essa questão é relevante no Oriente Médio, região que possui importantes reservas de petróleo e gás natural.

A destruição de refinarias, oleodutos e portos compromete a extração, o processamento e o transporte desses recursos, dificultando as exportações (SMITH, 1996). Desta forma, mesmo países com grande disponibilidade de matérias-primas podem enfrentar obstáculos para aproveitar suas capacidades produtivas e manter suas relações comerciais.

Em segundo lugar, a indústria bélica também exerce influência sobre o comércio internacional por meio da produção e comercialização de armas, drones e outros equipamentos militares. Estes produtos movimentam o mercado e estimulam investimentos em pesquisa e desenvolvimento, influenciando a concorrência entre empresas e Estados (SCHUMPETER, 1961).

Nesse sentido, a teoria de Joseph Schumpeter (1961), especialmente o conceito de destruição criativa, oferece outra perspectiva para compreender os efeitos econômicos dos conflitos. Para Schumpeter (1961), a destruição criativa é o processo pelo qual as inovações transformam as estruturas econômicas existentes, criando oportunidades e tornando determinadas tecnologias e atividades produtivas obsoletas.

No contexto militar, a busca por novas tecnologias pode estimular o desenvolvimento de novos armamentos e sistemas de defesa, modificando a concorrência entre fabricantes e influenciando os investimentos e as relações comerciais entre os Estados. Além disso, determinadas tecnologias desenvolvidas inicialmente para fins militares podem encontrar aplicações civis, como ocorreu historicamente com tecnologias de computação e comunicação (SCHUMPETER, 1961).

Estas transformações demonstram como a inovação pode ultrapassar o setor militar e alcançar outras atividades econômicas. Contudo, é importante destacar que o crescimento da indústria bélica não significa que as guerras produzam benefícios econômicos líquidos, uma vez que também provocam destruição de infraestrutura, perdas humanas e elevados custos de reconstrução (SCHUMPETER, 1961).

Portanto, os conflitos armados no Oriente Médio podem afetar o comércio internacional tanto pelas inatividades produtivas e comerciais quanto pelas transformações tecnológicas associadas à indústria bélica. Enquanto a teoria das vantagens absolutas, de Adam Smith (1996), permite analisar os obstáculos na especialização produtiva e as trocas comerciais, o conceito de destruição criativa, de Joseph Schumpeter (1961), contribui para compreender as mudanças provocadas pela inovação.

Dessa maneira, a articulação entre essas perspectivas evidencia que as guerras não afetam apenas a circulação de mercadorias, mas também podem modificar as estruturas produtivas e competitivas da economia internacional.

Referências:

SCHUMPETER, Joseph A. Capitalismo, socialismo e democracia. Tradução de Ruy Jungmann. Rio de Janeiro: Fundo de Cultura, 1961.


SMITH, Adam. A riqueza das nações: investigação sobre a natureza e as causas da riqueza das nações. Tradução de Norbert de Paula. São Paulo: Nova Cultural, 1996. v. 1.