Gabriela Vaz,
acadêmica do 5° semestre de Relações Internacionais

O passaporte musical desta semana é sobre a banda de rock nacional que desafiou estrutura do sistema, Legião Urbana. Suas canções abordam temas sobre paixões, a realidade política após a redemocratização e a realidade social do Brasil.

O artista Renato Russo, foi o fundador da banda em 1982 e, no mesmo ano, convidou Marcelo Bonfá, Eduardo Paraná e Paulo Guimarães para participarem do grupo (Legião Urbana, 2026). No ano seguinte, em 1983, esses dois últimos integrantes deixaram a banda e Dado Villa-Lobos entrou no lugar deles com a guitarra (Legião Urbana, 2026). Depois de um tempo, Renato Rocha entrou na banda (Legião Urbana, 2026).

No ano de 1985, com a gravadora EMI-ODEON, a banda lançou seu primeiro álbum, “Legião Urbana”, onde estava um dos seus principais hits, como “Será”, “Ainda é cedo” e “Geração Coca-Cola”, que se tornaram um grande sucesso. Suas canções explodiram nos rádios e os álbuns seguintes tornaram-se referência musical para milhares de jovens da época, com vários shows e turnês pelo Brasil.

Em 1989, Renato Russo assumiu sua bissexualidade em uma entrevista, e o álbum “Quatro Estações” teve recorde de vendas no ano de lançamento (Legião Urbana, 2026). Em 1993, Renato Russo internou-se em uma clínica de reabilitação, gerando por consequência a suspensão temporária da Legião Urbana e, com isso, Renato Russo passou a atuar, na sua carreira de músico a partir de então, de maneira individual, sem contato com a banda (Legião Urbana, 2026). No entanto, em 1996, ele faleceu devido às consequências do vírus HIV (Legião Urbana, 2026).

A partir desse momento, sem o vocalista principal, a banda se desfez e, em 1987, foi lançado um álbum com canções que não haviam feito parte dos discos anteriores.

Ao longo da trajetória da Legião Urbana, foram gravados 7 álbuns até 1996. Suas músicas mais conhecidas são: “Será” (1985), “Geração Coca-Cola” (1985), “Tempo Perdido” (1986), “Eduardo e Mônica” (1986), “Índios” (1986), “Que País é Este” (1987), “País e Filhos” (1989) e “A Via Láctea” (1996).

Diante disso, a trajetória musical de Legião Urbana pode ser analisada através da teoria Crítica das Relações Internacionais, que evidencia problemáticas sociais e políticas próprias da modernidade e se caracteriza pela ênfase na autorreflexão sobre o conhecimento (Internacional da Amazônia, 2026). Nesse contexto, o autor Robert Cox argumenta que as teorias tradicionais foram formuladas para solucionar problemas dentro de sistemas estabelecidos, enquanto que a Teoria Crítica problematiza essas estruturas, compreendendo que são historicamente construídas e passíveis de transformação.

Sob essa ótica, as letras das canções da Legião Urbana apresentam reflexões sobre a realidade brasileira. Como por exemplo, em “Geração Coca-Cola”, é exposto uma crítica à dependência cultural e à influência estrangeira, especialmente nos versos “Somos os filhos da revolução”, “Nos empurraram com os enlatados/Dos U.S.A., de nove às seis”. E na música “Que País é Este?, a banda denuncia a desigualdade, a desigualdade e a impunidade no Brasil.

Logo, sob a perspectiva da Teoria Crítica, Legião Urbana propõe uma reflexão interna sobre as formações das estruturas sociais, econômicas ou políticas, questionando por que são constituídas dessa maneira e como podem ser mudadas. Portanto, a banda consolidou-se como um instrumento de crítica e conscientização social.

REFERÊNCIAS

INTERNACIONAL DA AMAZÔNIA. A teoria crítica de Robert W. Cox. Disponível em: https://internacionaldaamazoniacoms.com/2026/04/17/a-teoriacritica-de-robert-w-cox. Acesso em: 20 abr. 2026.

LEGIÃO URBANA. Biografias. Disponível em: https://www.legiaourbana.com.br/bio.html. Acesso em: 20 abr. 2026.