
Lucas Cardoso – Acadêmico do 8° semestre de Relações Internacionais da UNAMA.
Pedro Sánchez Pérez-Castejón nasceu em 29 de fevereiro de 1972, em Madri, Espanha, em uma família de classe média. Formou-se em Economia pela Universidade Complutense de Madri e complementou sua formação acadêmica na Livre Universidade de Bruxelas, além de cursar programas na IESE Business School. Ainda jovem, aproximou-se do Partido Socialista Operário Espanhol (PSOE), ingressando oficialmente na organização ainda como estudante universitário, no início da década de 1990 (EBSCO, 2024).
Sua trajetória política teve início em âmbito local, como vereador em Madri a partir de 2004, e avançou progressivamente até sua eleição para o Congresso dos Deputados em 2009. Em 2014, foi eleito Secretário-Geral do PSOE, tornando-se líder da oposição em um momento de forte fragmentação do sistema partidário espanhol.
Após divergências internas relacionadas à formação de governo, renunciou ao cargo em 2016, mas foi reconduzido à liderança do partido em 2017, consolidando-se como principal figura da esquerda espanhola (DELGADO-FERNÁNDEZ; CAZORLA-MARTÍN, 2017).
Em junho de 2018, Sánchez tornou-se Presidente do Governo da Espanha após uma moção de censura bem-sucedida contra Mariano Rajoy, aprovada com o apoio do Unidas Podemos e de partidos regionalistas e nacionalistas. Desde então, seu governo enfrentou desafios significativos, como a gestão da pandemia de COVID-19 e o processo independentista catalão. Mais recentemente, seu terceiro mandato foi marcado por investigações envolvendo aliados políticos e familiares próximos, que Sánchez classificou como politicamente motivadas (BRITANNICA, 2026).
Ao longo de seus mandatos, Sánchez adotou políticas associadas à ampliação de direitos sociais, ao aumento do salário mínimo e à promoção da igualdade de gênero em seus gabinetes. Ao mesmo tempo, buscou manter a Espanha inserida em estruturas multilaterais como a União Europeia e a OTAN. Sua permanência no poder dependeu da capacidade de sustentar coalizões parlamentares amplas e heterogêneas em um sistema político cada vez mais fragmentado.
A trajetória de Pedro Sánchez pode ser analisada a partir do Liberalismo nas Relações Internacionais, especialmente das contribuições de Kant e, posteriormente, de Michael Doyle. Para essa corrente teórica, regimes democráticos tendem a cooperar entre si e a evitar conflitos armados, uma vez que suas instituições internas — parlamentos, eleições e mecanismos de controle mútuo — restringem decisões unilaterais. Essas instituições favorecem, assim, a resolução pacífica de disputas tanto internas quanto externas (DOYLE, 1983).
Sob essa perspectiva, a atuação de Sánchez pode ser compreendida como exemplo de como a política doméstica e a internacional se retroalimentam. A necessidade de construir coalizões parlamentares internamente reflete-se em uma diplomacia baseada em negociação e compromissos institucionais. Sua permanência no poder por meio de alianças com múltiplos partidos ilustra a importância que o Liberalismo atribui às instituições democráticas como mecanismo de estabilidade política.
Além disso, o engajamento de Sánchez com organismos como a União Europeia e a Internacional Socialista da qual é presidente desde 2022 reforça a ênfase liberal na interdependência entre Estados. Essa atuação dialoga diretamente com a teoria da interdependência complexa, formulada por Keohane e Nye, que destaca o papel de instituições internacionais na promoção da cooperação entre atores estatais e não estatais (KEOHANE; NYE, 1977).
Por fim, a trajetória de Pedro Sánchez ilustra como lideranças em democracias contemporâneas operam sob a lógica da negociação institucional, tanto no plano interno quanto externo. Sua atuação reforça a perspectiva liberal de que a estabilidade e a cooperação internacional dependem, em grande medida, da solidez das instituições democráticas. Reforça, ainda, a capacidade dos atores políticos de construir consensos em contextos de fragmentação e polarização.
Referencias:
DELGADO-FERNÁNDEZ, Sergio; CAZORLA-MARTÍN, Alicia. El Partido Socialista Obrero Español: de la hegemonía a la decadencia. Revista Española de Ciencia Política, n. 44, p. 247-273, jul. 2017.
DOYLE, Michael W. Kant, Liberal Legacies, and Foreign Affairs. Philosophy & Public Affairs, v. 12, n. 3, p. 205-235, 1983.
EBSCO. Pedro Sánchez. Research Starters. Disponível em: https://www.ebsco.com/research-starters/biography/pedro-sanchez. Acesso em: 7 ago. 2026.
ENCYCLOPAEDIA BRITANNICA. Pedro Sánchez. Britannica. Disponível em: https://www.britannica.com/biography/Pedro-Sanchez-politician. Acesso em: 7 ago. 2026.
KEOHANE, Robert O.; NYE, Joseph S. Power and interdependence: world politics in transition. Boston: Little, Brown, 1977
