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Marvin Brito Pinto – acadêmico do 4° semestre de Relações Internacionais da UNAMA

O Estado do Pará, se mantém na liderança da região norte no quesito de exportações para o exterior (FIEPA, 2026). Posição essa que advém do legado colonial, e se reforçou no período dos Ciclos da Borracha, se transformando mas permanecendo ligada firmemente no extrativismo. De acordo com a Teoria Pós-Colonial das Relações Internacionais, essa questão se dá pela permanência das estruturas coloniais mesmo após o processo de independência das Américas.

Aníbal Quijano (2005), expõe, por meio do conceito de “Colonialidade do Poder”, que essa continuidade das estruturas hierárquicas coloniais se dão na estrutura capitalista da economia de mercado, onde a riqueza se concentra nos países desenvolvidos, e os subdesenvolvidos permanecem dependentes a eles, ficando presos no processo econômico primário de exportação de matérias-primas, onde a geração de riqueza advém de um aumento de intensidade da atividade, e não traz desenvolvimentos significativos para o lugar periférico e sua população.

A participação paraense na economia global, ganha notoriedade no período dos Ciclos da Borracha (1° Ciclo: 1877-1910 e 2° Ciclo: 1942-1960), onde o Estado, junto com a região norte, explorou massivamente a exportação do látex, matéria-prima essencial para a produção de borracha, durante os períodos da Segunda Revolução Industrial, e posteriormente da Segunda Guerra Mundial, respectivamente. 

O período denominado como “Belle Époque”, tem sua origem nesse processo, onde o crescimento econômico e a concentração de investimento trouxe um retorno significativo para as regiões metropolitanas, sobretudo em Belém do Pará e Manaus, a região amazônica deixava de fazer parte apenas da subsistência brasileira e adentrava nas dinâmicas de acúmulo mundial pela primeira vez (Cadernos CEPEC, 2012).

Atualmente, as principais atividades econômicas do Estado continuam sendo majoritariamente de caráter extrativista, onde a mineração de ferro e cobre, assim como a extração de produtos agropecuários como soja, carne bovina e açaí, com destinação para: China, Alemanha, Índia, Polônia, Japão, Estados Unidos e Canadá. Essas atividades fizeram com que o Pará chegasse a ocupar, até então, a 5ª posição no ranking nacional de estados exportadores do Brasil, contribuindo 7,2% nas exportações nacionais e culminando num saldo de US$ 9 bilhões na balança comercial no ano de 2025 (O Liberal, 2026).

Entretanto, a permanência dessa estrutura, apesar de trazer um crescimento econômico, não promove o desenvolvimento local, gerando uma Concentração Setorial e Informalidade Estrutural, onde atividades extrativistas tem uma dominância massiva, tirando sua diversidade e diminuindo suas capacidades de manufatura, o que também acaba gerando um crescimento nas ocupações informais devido à falta de vínculos empregatícios, acarretando em uma baixa capacidade de inclusão social e na permanência da desigualdade (RBEST, 2023).

Portanto, assim como apontado pelo conceito de “Colonialidade do Poder” de Aníbal Quijano, a Economia do Estado Pará, continua inserida no mercado global como uma completamente dependente do modelo de neoextrativismo, e apesar do seu notório crescimento e relevância regional, carece de desenvolvimentos significativos que alterem sua posição nas dinâmicas globais do mercado.

Referências:

“Pará registra superávit de US$ 4,66 bilhões e reforça protagonismo no comércio exterior no 1º trimestre de 2026”. FIEPA. Belém do Pará. 10/04/2026. Disponível em: https://www.fiepa.org.br/post/par%C3%A1-registra-super%C3%A1vit-de-us-4-66-bilh%C3%B5es-e-refor%C3%A7a-protagonismo-no-com%C3%A9rcio-exterior-no-1%C2%BA-trimes. Acesso em 14 de Agosto de 2026.

QUIJANO, Aníbal. “A Colonialidade do Saber: Eurocentrismo e Ciências Sociais. Perspectivas Latino-Americanas (pág 107-130)”. 2ª edição. Buenos Aires. CLACSO. Setembro de 2005.

OLIVEIRA, Wesley Pereira; TRINDADE, José Raimundo Barreto; Machado, Nathalia Menezes. “Borracha, Nordestino e Floresta: A Economia e Sociedade Amazônica nos Dois Ciclos Gomíferos”. Cadernos CEPEC – Centro de Pesquisas Econômicas da Amazônia. Belém do Pará. 01/02/2012. Disponível em: http://dx.doi.org/10.18542/cepec.v1i1-6.6773. Acesso em 14 de Agosto de 2026.

GUTIERREZ, Gabi. “Exportações do Pará crescem 13,2% em 2026”. O Liberal. Belém do Pará. 06/05/2026 às 6h30. Disponível em: https://www.oliberal.com/economia/exportacoes-do-para-crescem-13-2-em-2026-1.1129899#google_vignette. Acesso em 13 de Agosto de 2026.

TRINDADE, José Raimundo Barreto; BORGES, Gedson Thiago do Nascimento. “O mercado de trabalho no Pará: economia primário-exportadora e desigualdade social”. RBEST – Revista Brasileira de Economia Social e do Trabalho, Campinas, v. 5, p. e023007, 2023. Disponível em: https://doi.org/10.20396/rbest.v5i00.17458. Acesso em 13 de Agosto de 2026.